segunda-feira, 23 de abril de 2012

Bichos de alma


Havia um limoeiro antigo no meu jardim. Todos os anos ele dava muitos limões, saborosos e azedos. Um dia, o jardineiro me procurou com a feição preocupada e disse:
– Eu precisei cortar o limoeiro e o joguei fora.
Senti uma dor no peito. Imagens da minha infância me deixaram tonta com seus flashes iluminados. Eu me vi menina, de pés no chão, escalando o alto muro da vizinha com minhas primas, para colher limões e depois comê-los com sal.
Com pesar, perguntei qual havia sido o motivo. Ele explicou que o limoeiro tinha sido infestado por bichos que foram se alimentado da seiva até que, completamente seco, perdeu as folhas, a cor e, por fim, a própria vida. Não pude evitar uma lágrima inoportuna. Não sei bem se pelo limoeiro ou pelas lembranças da minha infância. Fiquei refletindo sobre o fato: será que os limoeiros têm alma igual à gente? E será que a alma da gente tem bichos como o limoeiro?
Sem dúvida, algumas almas podem ficar “bichadas”. Inveja, mágoas e decepções são experiências tristes que nos sugam a energia vital, se alimentam de nossa esperança e nos fazem “secar” até perdermos a cor e a vida. Prevenir uma infestação me parece difícil. Só não sofre quem não vive. Lembrei-me de uma crônica de Rubens Alves em que ele diz que “a inveja é um bichinho que mora nos olhos e vai comendo por dentro as coisas boas que crescem em nosso jardim, o chamado ‘olho gordo’. Muita gente tem medo de ‘olho gordo’, mas não precisa, pois o verme da inveja nunca faz nada com os outros”.
Sim, o bichinho da inveja se alimenta da planta onde vive. Assim, enquanto tem fome da outra planta, olha para a sua como algo menor, deixando sua própria alma doente, perdendo o prazer da sua refeição, apesar de não ser capaz de devorar aquilo que olha além.  Inveja vem do Latim “invidia”, que significa “não ver”, no sentido de não querer ver o bem no outro. Mas o que realmente acontece é que a pessoa deixa de ver o seu próprio bem. A inveja anda de mãos dadas com a comparação, que é outro bichinho d´alma. Ela sempre elege um ganhador e um perdedor, mesmo que os dois sejam bons o suficiente. Alucinógena, cria uma ilusão de que o seu é muito, muito pior. Quem será que sofre com isso?...
Eu devo confessar que também sou um limoeiro. Na primavera, floresço, e quem me vê imagina que meus frutos são sempre doces. Doce mesmo, só a ilusão. Às vezes, fico carregada dos mais azedos limões. Procuro conviver com plantas de frutos doces para ter bons frutos em que me espelhar (não invejar). Toda planta pode ter bichos. Mas algumas espécies são mais azedas que as outras. Se for contaminada, que seja pelos bichos de um pé de laranja lima.
Eu não choro quando como uma laranja doce ou quando escuto palavras boas. Mas minha alma dói só de me lembrar do gosto do último limão azedo que maturei.



quinta-feira, 12 de abril de 2012


Livros publicados pela autora:

Para crianças
A Vila Felina
Coleção Pápum – poetando e desenhando
A Vila Encantada
O Conde Van Pirado
Sara e os óculos mágicos
Coleção Fuá – riscando os animais
A galinha que botava batatas 
Poemas Minimalistas
Um estranho no reino das formas 
O domador de Cometas 
Dinossauros, índios e versos 

Para jovens e adultos
Fragmentos & Estilhaços – contos, crônicas e poemas, 2010
Colcha de retalhos – poemas, 2010
O tango da Vida, 2012

Próximos lançamentos

Para crianças
Sofia soltou pum... de novo!
A mosca destrambelhada (prelo)
O sequestro da borboleta (prelo)
Cartilha sobre o meio-ambiente
A Vila dos Ecomonstros
Os estranhos gatos da Vila Felina
O índio poeta

Para jovens e adultos
Fronteiras – crônicas
Flor do Deserto – poemas

segunda-feira, 9 de abril de 2012

domingo, 25 de março de 2012


 VALORES PARA CRIANÇAS: NÃO MENTIR, NÃO PEGAR O QUE É DO OUTRO E NÃO RIR DAS OUTRAS PESSOAS
ESCOLA AMÁLIA DALTOÉ AGOSTINI - SEXTA-FEIRA, 16 MARÇO 2012 

Estamos trabalhando valores.....A partir da história: 

“ A GALINHA QUE BOTAVA BATATAS”
·         NÃO PEGAR O QUE É DOS OUTROS
·         NÃO MENTIR
·         NÃO RIR DAS OUTRAS PESSOAS











terça-feira, 13 de março de 2012

POESIA - POEMAS MINIMALISTAS


Depois de lançar o livro “A galinha que botava batatas” para o público infantil, em Braille, pela AEILIJ SOLIDÁRIA E FUNDAÇÃO DORINA NOWILL,
(reportagem do Jornal Nacional em 9 de março de 2012:
e o livro com contos premiados para o público adulto e juvenil, O Tango da Vida, Simone lança um livro de poemas minimalistas, que segundo ela, foram concebidos
em sintonia com os novos tempos de urgência, em que as pessoas se comunicam pelas redes sociais, com mensagens curtas que têm até menos de 140 caracteres.
Publicado pela editora RHJ de Minas Gerais, especializada em fornecer livros de alta qualidade para os governos de todo o país, visa o público jovem , mas agrada desde crianças até adultos.
Não são todos os jovens que apreciam literatura. Com poemas mínimos, queremos cativá-los para tornarem-se grandes leitores com o tempo.

A autora explica que a poesia pode ser sintetizada em poucas palavras, o que conta é o sentimento que ela transmite, e apresenta seu livro com o seguinte poema:

Poemas são pássaros colorindo o céu da boca de quem os declama. Estão aqui, ali, acolá.
Só os enxerga quem presta atenção no que não vê. Como pássaro em árvore, invisível ao distraído, faz ninho e procria.
Bate asas, voa azul. Mas se perde a liberdade, de dor canta, chora e renasce. Esse livro não é gaiola.
Apenas um galho macio, onde coloridos poemas descansam e observam os animais como eles gostariam de ser vistos.



Em breve, nas maiores livrarias do Brasil. O livro em Braille já está disponível no site da Fundação Dorina Nowill. Para facilitar aos interessados, a própria autora encomendou um lote para a Fundação Dorina Nowill e podem ser adquiridos diretamente com ela.

“Muitas pessoas não gostam de fazer compras pela internet, então eu mesma comprei um lote, além de facilitar para os interessados, a pessoa está contribuindo com a Fundação que faz um trabalho maravilhoso em todo o território nacional, distribuindo gratuitamente livros para mais de cinco mil bibliotecas municipais. Todo o lucro é revertido para projetos sociais que atendem pessoas cegas e de baixa visão, crianças e adultos, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, inclusive em regiões amazônicas.”

“Nós, autores desse projeto – somos dez autores e dez ilustradores ao todo - , cedemos os direitos autorais para esse projeto, e no final, o patrocinador decidiu nos presentear com um valor simbólico, mas nunca havia sido aventada essa possibilidade.”

Mais informações: s.pedersen@ol.com.br

Lançamento do livro "O tango da vida" em 15 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Publicado em março de 2012 - Poemas minimalistas

Poemas são pássaros colorindo o céu da boca de quem os declama. Estão aqui, ali, acolá. 
Só os enxerga quem presta atenção no que não vê. Como pássaro em árvore, invisível ao distraído, faz ninho e procria. 
Bate asas, voa azul. Mas se perde a liberdade, de dor canta, chora e renasce. Esse livro não é gaiola. 
Apenas um galho macio, onde coloridos poemas descansam e observam os animais como eles gostariam de ser 
vistos.


Como um gavião que rasga o céu com suas garras para ver o que tem do outro lado, você abre a realidade e enxerga outra dimensão a cada poema minimalista, onde elegantes cigarras tocam jazz e formigas atletas nadam em piscinas de gotas de orvalho.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Foi com muita emoção, mais que em outros livros, que recebi meu primeiro livro em Braille, pela Fundação Dorina Nowill em conjunto com a AEILIJ – Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infanto Juvenil.
As lindas ilustrações do Professor Paulo Branco foram criadas de acordo com as necessidades de crianças com baixa visão ou cegueira, com poucos detalhes e cores fortes, comprovando mais uma vez seu talento e versatilidade.
A Fundação Dorina Nowill, referência em nosso país, distribuirá gratuitamente para mais de 5.000 bibliotecas em todo o território nacional, inclusive Vinhedo.
De acordo com o Censo de 2010, existem no Brasil cerca de 6.585.000 pessoas com deficiência visual sendo 6.057.000 pessoas com baixa visão e 528.000 com cegueira total.